03 agosto, 2011

falando serio 03 de agosto

EXPLICAÇÕES


O líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Candido Vacarezza – PT-RS – disse nesta segunda-feira que a base aliada irá apoiar a convocação de Ministros para darem explicações sobre irregularidades em suas pastas. Para ele, “Na democracia, temos que lidar com críticas, com denúncias e todas as denúncias têm de ser averiguadas. Se for para falar sobre suas pastas, sou favorável. Se for convite para uma discussão para esclarecer as coisas, nós somos favoráveis. Nós não vamos colocar nenhuma dificuldade para fazer convite a nenhum ministro”, afirmou Vaccarezza. Muito bonito o discurso.

LINGUA SOLTA

O governador André Puccinelli, conhecido pela sua língua solta, soltou mais uma pérola no último dia 29. Ao ser questionado sobre a Vila Olímpica, inaugurada em Dourados, porém, fechada por falta de quem administre. “Dá papinha pro índio, dá comida pro índio, dá camisinha [sic], camiseta pro índio, dá kit escolar pro índio, dá escola, dá casa pro índio, agora vai ter que tocar pro índio também?”, disparou. Alguém precisa avisar o governador que falta dar apito para o índio.

OAB

Esta dando o que falar a questão da Inconstitucionalidade do exame da Ordem. Acontece que desde 2009 tramita no STF recurso que questiona sua constitucionalidade. Os advogados consideram uma verdadeira retaliação à OAB, o parecer contrario ao Exame da Ordem emitido pelo subprocurador-geral da República Rodrigo Janot. O motivo, de acordo com o conselheiro e advogado Almino Afonso Fernandes foram os dois votos que os representantes da Ordem no CNMP deram pela abertura de processo disciplinar contra Janot, há pouco mais de um mês. Na verdade todos querem formar em direito e pegar um “mamão com açúcar”. Nada disso, é preciso estudar, pois, do contrário, são as pessoas que precisam de um bom advogado são quem acabam perdendo.

CONVITE

A Coordenadora do Curso de Direito da Faculdade FIP/MAGSUL, Dra Lysian Carolina Valdez convida todos os advogados a participarem do V Congresso Internacional de Estudos Jurídicos da Fronteira a ser realizado entre os dias 10 a 12 de agosto. Presenças confirmadas: Sérgio Harfouche, Promotor da Infância e Juventude, Luiz Flavio Gomes, grande jurista brasileiro e Fábio Trad, advogado criminalista e deputado federal. Maiores informações através do telefone 3437-8804 ou pelo Email da Coordenadora Lysian@uol.com.br.

BOXE

Sem qualquer apoio de órgãos institucionais ou privados, o Sr. Edésio Ribeiro, Presidente da FBOEMS, treinador de boxe há mais de 10 anos, vem realizando um trabalho exemplar com crianças carentes pede apoio da imprensa para divulgar que o Sulmatogrossense Bruno Lucas Moreira De Oliveira, 21 anos de idade, disputará no dia 13 de agosto de 2011 (sábado), o título Sul Americano de Boxe Profissional da WKBC (WORLD KICK BOXING COPORATION) pela categoria Peso-Pesado (acima de 91,600 kg). A luta será contra o Argentino Silvio Julian Palavecino “El Mohicano” no Instituto Social Pioneira, cito a Rua Barão de campinas, 187 – Bairro Pioneiro Campo Grande-MS, a partir das 19h30. Ai, Seo Edésio, tem todo o nosso apoio.

PPS

O pré-candidato a vereador pelo PPS, Marcos Candia, me fez convite para filiar-me no PPS. Como todos sabem, sou filiada a um determinado partido e pertenço a ala insatisfeita com seus rumos. Agradeço ao convite feito pelo Marcos Candia e prometo pensar com carinho a respeito, afinal, tenho até o começo de outubro, segundo o calendário eleitoral para resolver se aceito ou não o convite. Ademais, leitores o que vocês acham disso? Devo consultar as cartas ou quem dá as cartas?



AGRADECIMENTOS

Agradeço aos leitores e colaboradores que são a razão do sucesso desta coluna, em especial ao juiz aposentado e criminalista Dr Luiz Carlos Saldanha Rodrigues que aniversario em 1º de agosto, aos amigos Vinicius e Fabiola Gimenez que retornaram a Ponta Porã depois de 06 anos residindo em Portugal; ao Abbas Boufleur; Beth Beutfleur Espindola e ao casal Lugui e Marcia. Obrigada. Semana que vem tem mais.

01 agosto, 2011

FALANDO SERIO DE 27 DE JULHO

DNIT


O diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, pediu exoneração do cargo na última segunda-feira. Pagot é o pivô de um suposto esquema para desviar verba pública do Ministério dos Transportes. A pasta é comandada pelo PR. Até agora, dezessete servidores e ocupantes de cargos comissionados foram afastados e exonerados. A novela continua.

LOUCO

O advogado do atirador que matou 76 pessoas no atentado em Oslo, disse acreditar que seu cliente esteja “louco”. O terrorista Anders Behring Breivik citou o Brasil pelo menos 16 vezes em um texto publicado na internet. As citações são pejorativas e racistas, alegando, por exemplo, que miscigenação de raças no Brasil gerou corrupção generalizada e conflitos étnicos que levarão o nosso País degradação total. Será que ele tem razão, apesar de louco? Ô louco!

LULLA

O ex-presidente Luiz Inácio Lulla da Silva encontrou um jeito de “voltar” a ativa. Ele agora vai percorrer o País definindo as alianças que o Partido da estrela tomará nas eleições municipais do ano que vem. Lulla já tem viajado pelo Brasil, percorrendo as principais cidades e articulando as alianças para o ano que vem. Para o ex-presidente, não há problema algum no sentido do PT realizar prévias para a escolha dos seus candidatos a prefeito. Aqui em Ponta Porã a parada deve ser dura, com pelo menos quatro candidatos a candidato.

INCRA

Ao que tudo indica o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA – está a pleno vapor na investigação de supostas irregularidades cometidas por assentados no Estado. Ao todo, pelo menos oitocentos lotes podem ser retomados pelo órgão, pelo fato de seus donos terem vendido a terceiros sua parcela de terra. O procurador do INCRA no Estado, Nézio Andrade disse que fiscalização termina na próxima sexta-feira e que as famílias terão um prazo para se defender das supostas irregularidades.

CAIU

A popularidade do prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho. Segundo pesquisa divulgada esta semana, a pesquisa apontou uma queda de dezesseis pontos no quesito aprovação da administração. Nelsinho disse que é um exagero de “fogo amigo” e que sabe pontualmente dos seus problemas. Ele tem enfrentado algumas dificuldades para administrar a capital.

BLITZ

As operações desenvolvidas pelas forças policiais aqui em Ponta Porã estão dando o que falar. Foram inúmeras motocicletas e veículos apreendidos. A chiadeira é total. O comércio está atribuindo a queda nas vendas pela impossibilidade dos seus compradores deslocarem-se até o centro. Porém, há que se considerar que para que o veículo, principalmente estrangeiro, não seja apreendido, deve estar com a documentação exigida por Lei, assim como o motorista deve estar habilitado. Transitando com a documentação em ordem e todos os equipamentos obrigatórios, ninguém terá o seu bem apreendido pela blitz. É o que diz a Lei.

OAB

Recebi Email da Secretaria Geral Adjunta da OAB 5ª Subseção, Dra. Adriana da Motta informando que: “Conforme Oficio nº 044/2011 recebido da Direção do Foro de Ponta Porã, informamos a todos os advogados (as), que será realizada a implantação do processo eletrônico nesta Comarca entre os dias 08/08/2011 e 26/08/2011.



Para tanto, se faz necessário ressaltar que os colegas que ainda não providenciaram sua certificação digital deverão buscar informações na sala da 5ª Subseção da OAB ou Associação Comercial desta cidade, pois depois de regularizada a implantação do processo eletrônico o peticionamento será também na forma eletrônica.”

AGRADECIMENTOS

Agradeço aos leitores e colaboradores que são a razão do sucesso desta coluna, em especial a competente secretaria da OAB e amiga de todos Nehde Hamer que festejará idade nova dia 02 de agosto. Obrigada. Semana que vem tem mais.

BONS AMIGOS

"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!


Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!


Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!


Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!


Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"

Texto de Machado de Assis enviado por Greziela Saldanha Sabino

O CASAMENTO NA POLICIA (publicado em 21/06/2011)

Artigo de Luiz Carlos Saldanha Rodrigues (Fonte: Midia Max)
EMENTA: o crime de sedução previsto no art. 217 do Código Penal, foi revogado pela lei 11.106, de 28.3.2005. Antes mesmo de sua revogação a doutrina já recomendava a sua não aplicabilidade em face de sua inconstitucionalidade.

A história que vou contar hoje se passou lá pelos anos 60, quando a juventude brasileira embalada pelo rock and roll de Elvis Presley, Chuck Berry, Beatles e Rolling Stones, reproduzia esse novo gênero musical com letras ambientadas em cenários brasileiros, fazendo surgir o movimento que passou a se chamar “jovem guarda”, representado, principalmente, por Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderleya, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary, Sérgio Reis, Os Vips, Golden Boys, Ronnie Von e muitos outros, os quais foram os responsáveis pela sedimentação do rock no País. Novos cantores e novas bandas surgiram por todos os cantos do Brasil, que levavam a juventude ao delírio ao som de “quero que vá tudo pro inferno”, “estrada de Santos” e o “calhambeque”.

Como sabem, sou filho de Amambai, e na minha juventude participei de alguns movimentos estudantis, inclusive emprestando forças para a formação da primeira banda musical da cidade. Seus componentes: Cairo um gaúcho que aportou naquela cidade trazendo consigo uma guitarra; Teodorico que, posteriormente, tornou-se professor de violão e que dominava o contrabaixo; Alcindido Lemes, o “Xote”, considerado o rei da bateria; Dilmar, o “Ferreirinho”, com sua gaita encantada; “Zé do Couto”, locutor e apresentador de um programa de alto-falantes; “Orlandinho” que aprendeu tocar violão em apenas 30 dias; e, como toda banda, também tínhamos o nosso vocalista, o Agamenon que quando imitava Roberto Carlos, levava as fãs à loucura.

Zé do Couto, apresentava a banda, anunciando: “com vocês “Os King’s Night”; “Xote”, arrebentava, com sua bateria; logo vinha o Cairo solando sua guitarra, seguido pelo contrabaixo do Teodorico; entrava o violão do Orlandinho; Dilmar, o “Ferreirinho”, abria o fole de sua gaita encantada e Agamenon completava, cantando: “era um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”. O povo aplaudia em pé e a festa só acabava no outro dia pela manhã. Não demorou muito para que nossa banda se tornasse um sucesso absoluto.

Agamenon, o nosso personagem de hoje, durante o dia era mecânico de profissão, andava todo engraxado, usando macacão de alças sem nada por baixo e uma velha camisa feita de brim azul. Durante a noite, depois de lavar as mãos com gasolina para retirar a graxa acumulada consertando carros velhos, se transformava no Roberto Carlos, encantando as noites de minha cidade natal, cantando “calhambeque” e para delírio das meninas “quero que vá tudo pro inferno”. Era craque também quando imitava Elvis Presley e os Beatles. O nosso Roberto Carlos, tal como o rei, também, era assediado pelas garotas e foi numa dessas noites que, aconteceu o que já era previsível, não suportando o assédio da filha mais nova de um casal conservador daquela cidade, cujo nome não menciono para evitar maiores constrangimentos, acabou “ficando” com ela e diante das blandícias envolventes, acabou mantendo conjunção carnal com a mesma. No amanhecer do dia, a jovem loucamente apaixonada, mais pelo timbre da voz do que pela figura do vocalista da banda que era meio desengonçado e só cantava na penumbra para ocultar um pouco a feiura, levou a conhecimento do pai que havia sido seduzida e havia perdido a virgindade, cuja autoria imputava a seu galã, imitador de Roberto Carlos e exigia que o pai fizesse com que o mesmo reparasse o mal pelo casamento. Aliás, tal procedimento já havia sido adotado pela filha mais velha do casal e que só não deu certo porque a ordem de soltura foi obtida em 24 horas e porque o autor do mal feito, um jogador de futebol egresso de Assunção, comprovou que tinha sido o décimo primeiro dos atletas moradores de uma república a experimentar da fruta proibida e ainda, porque, acabou casando-se com outra fã que lhe assediava nos campos esportivos da cidade.

Coitado do pai, mal amanheceu o dia e já estava na porta da Delegacia de Polícia para denunciar o acontecido: o vocalista da banda havia seduzido sua filha, aproveitando-se de sua inexperiência e dela retirando a preciosa virgindade. O delegado, ávido por uma ocorrência daquele porte, não teve dúvidas, estava diante de um caso que exigia pronta e rápida intervenção da autoridade, era preciso prender o indigitado autor do mal feito para obrigá-lo a casar-se com a jovem, não só para reparar o mal, mas sobretudo para que a honra da família fosse restabelecida.

Pronto, lá se foi o nosso “Roberto Carlos” para a cadeia, de onde somente sairia se casasse com a vítima do nefasto crime de sedução. A cidade viveu momentos de profunda comoção, eis porque, o suposto autor do mal feito, embora mecânico e imitador de Roberto Carlos, era tido por um bom moço e que sempre se mostrava respeitador e incapaz de cometer um crime, ainda mais daqueles contra a liberdade sexual que, na época, era punido com pena de reclusão.

O crime de sedução que era previsto no art. 217 do Código Penal, seduzir mulher virgem menor de 18 e maior de 14 anos e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança, era punido com pena de dois a quatro anos de reclusão e o casamento com a vítima era causa de extinção da punibilidade, tal como constava do art. 107, VII do mesmo diploma legal. Os dispositivos posteriormente, em 2005, acabaram sendo revogados.

O delegado “Jacinto” interrogava o nosso ídolo local com todo rigor, advertindo-o de que a pena que iria pegar era de até quatro anos de reclusão e que somente o casamento com a indigitada deflorada, seria capaz de livrá-lo da cadeia. O interrogando resistiu heroicamente cerca de quinze dias de pressão por parte da autoridade policial, mas quando os métodos de interrogatório passaram para os “científicos”, ou seja, “pau de arara”, “palmatória” e outros mais convincentes, para se livrar das dores e humilhações, acabou por concordar com a imputação prometendo casar-se com a seduzida. Correu o edital de proclamas pelo prazo de 30 dias, no final do qual foi marcada a data do casório, onde o pobre coitado, agora reduzido a um Waldik Soriano, cantando: “eu não sou cachorro não”, compareceu escoltado e algemado perante o cartório. Ali já o esperava a seduzida que estava vestindo um longo branco e na cabeça um véu que era segurado por uma grinalda, acompanhada por toda sua família, alguns amigos e muito curiosos. O oficial do registro civil leu a ata e o Juiz de Paz, para cumprir a solenidade do casamento, indagava: “é da sua livre e espontânea vontade casar-se com a senhorita fulana de tal ?”. Nosso ídolo, depois de esperar por alguns segundos, criando um suspense, acabou pronunciado um NÃO, desajeitado, fazendo com que o Juiz de Paz encerrasse a solenidade dizendo: “acabou o casamento, podem se retirar e conduzam o noivo para a cadeia”. A noiva seduzida, se derramava em prantos e lágrimas, os pais tentavam conformá-la e os curiosos comentavam o acontecido e se encarregavam de propagar pela cidade que o cantor da banda havia se recusado a casar-se com a seduzida, talvez porque não fosse mais virgem.

Na delegacia, o delegado jogava duro com o nosso ídolo local, mandava cortar os seus cabelos, não permitia visitas, salvo o pai da moça a quem permitia que viesse fazer ameaças, caso se recusasse novamente ao casamento com sua encantada princesa seduzida. Vai daí, que o nosso vocalista, não suportando mais as ameaças do pai da moça e a pressão da autoridade policial, acabava por afirmar que agora concordava com o casamento. Novos proclamas e mais 30 dias de cadeia até chegar a nova data para o casório. Novamente a expectativa era criada e cada vez mais curiosos compareciam para ver se o “cantor” iria dizer o SIM ou se iria dizer o NÃO.

O nosso “rei local”, agora também tinha seus torcedores e até em maior número que os amigos da noiva. O “turco João” apostava cem contra dez, que o noivo iria dizer “não” novamente. Seu conterrâneo, o “turco Naamã” liderava as apostas dizendo que a resposta seria “sim”. Muita gente jogava e a bolsa das apostas já estava bem alta. Até eu, que não gostava muito de apostar, “casei dez pilas” na resposta negativa. Chegava novamente o noivo, devidamente escoltado e algemado e quando foi indagado pelo Juiz casamenteiro, sobre sua livre vontade, eu que estava postado bem na sua frente, querendo ganhar a aposta, balancei a cabeça de forma negativa e o pobre noivo não perdendo tempo foi logo dizendo, NÃO, frustrando todas as expectativas e novamente sendo levado para a cadeia, onde iria aguardar o processo para, talvez, provar sua inocência.

A família inconformada com aquela situação humilhante, agora não se conformava apenas com a cadeia que o pobre imitador de Roberto Carlos, poderia levar, queria mais, queria vingança e para tal foi contratar um conhecido e temido “Justiceiro”, remanescente do bando de Silvino Jackes, a quem seria confiada a tarefa de obrigar o pobre cantor a casar-se com a jovem seduzida e caso não concordasse, a morte seria o preço pela desonra da jovem e de sua família.


Os integrantes da banda, inconformados com o infortúnio do vocalista, procuraram o presidente da Associação dos Estudantes Secundários de Amambai (AESA) e que, por acaso, era o autor deste conto, alegando que além de vocalista, também era estudante e merecia a proteção daquela associação, tal como era enfatizado no seu estatuto. Na época eu trabalhava em um cartório e já tinha algumas noções de Direito e sabia que a prisão era ilegal, quando não era efetuada em flagrante ou por ordem escrita de autoridade judiciária, razão pela qual, procurei o escrivão de polícia, meu amigo Alfredo Mariano, um paulista que ancorou seu barco nas barrancas do Rio Paraná, vindo para minha cidade a fim de concluir os ensinamentos básicos e que, algum tempo depois voltou para a capital paulista, onde cursou direito na PUC, ingressando por concurso público de provas e títulos na carreira do Ministério Público do Estado de Goiás, onde se aposentou como promotor, radicando-se no interior daquele estado, mas que, jamais perdeu os laços com a nossa cidade e todos os anos aparecia por lá e por aqui para rever os amigos. Pois bem, foi ele quem me forneceu uma certidão afirmando que não tinha sido lavrado nenhum flagrante contra o indigitado imitador do rei Roberto Carlos e muito menos a prisão tinha sido efetuada por ordem de autoridade judiciária pressupostos para uma prisão ser legal.

Agora o nosso ídolo não estava mais só, porquanto passou a ter a proteção de alguém que, se não era advogado, tinha vocação para essa atividade e, sem dúvida, seria colocado em liberdade, mediante o remédio heróico denominado “habeas corpus”, cuja garantia constitucional, em que pese a revolução de 64, continuava em vigor e era eficaz para por fim a qualquer constrangimento ou ameaça de constrangimento à liberdade de ir e vir de qualquer cidadão.

Na delegacia, aproveitando a ausência do delegado, o escrivão Alfredo Mariano, também sabedor de que a prisão se revestia de ilegalidade, permitiu que eu falasse com “meu cliente”. O pobre estava abatido, maltrapilho, com os cabelos cortados de forma desalinhada e ao me receber, se derramou em lágrimas para, por fim, acolher as minhas orientações: na nova data que seria marcada para o casamento deveria repetir o seu, NÃO, dando tempo para que “habeas corpus” fosse despachado pelo Juiz de Ponta Porã, o qual respondia pela recém criada Comarca de Amambai: “Aguenta firme colega (ambos éramos estudantes), não tenha medo porque logo o juiz vai mandar te soltar”. Ao sair, “meu cliente” estava mais conformado e havia me prometido que novamente iria bradar um, NÃO, e que desta vez seria definitivo. Como ele não tinha dinheiro para as despesas, procurei o “Turco João” e apostei mais vinte contra duzentos que a resposta seria negativa.

Elaborei uma petição de “habeas corpus”, cujo modelo me foi passado pelo advogado criminalista Giordano Neto, um dos maiores tribunos do Júri deste Estado e que esteve na minha cidade participando do primeiro julgamento popular, cuja história, contarei numa outra oportunidade e juntando a certidão que me foi passada pelo escrivão Mariano, distribui o remédio heróico.

O “habeas corpus” era processado no cartório do 1º Ofício, onde trabalhava meu primeiro orientador jurídico, Ramão Trindade, pai do meu afilhado Adilson Trindade, brilhante advogado e jornalista do Correio do Estado. Os primeiros despachos eram exarados pelo Juiz de Paz e a decisão proferida por um Juiz Togado (Juiz de Direito), quando a Comarca estivesse desprovida de titular. Assim por orientação do meu compadre Ramão, fiz carga do processo e lá me fui à procura do Juiz titular da Comarca de Ponta Porã. Depois de passar pelo crivo do Dorvalino, uma espécie de assessor e que ao me conduzir até a presença daquela autoridade judiciária, me dizia “tome cuidado, não chegue muito perto, o homem é uma fera” e abrindo a porta e me anunciou para o magistrado. Temeroso adentrei na sala das audiências, no piso superior do fórum da Rua 7 de Setembro daquela Comarca, onde fui recebido pelo temido e carrancudo Juiz Athayde Nery de Freitas, hoje Desembargador Aposentado, com quem tive o prazer e a honra de trabalhar, tempos depois, já aqui em Campo Grande, onde vim descobrir que “o leão não era tão bravo como pensava”. Naquele dia certamente ele estava de bem com a vida, eis que me recebeu com um largo sorriso, tratando-me com tanta delicadeza e respeito que, ao deixar o seu gabinete eu já estava decidido: um dia seria também um Juiz para ser igualzinho a ele. Pegou o processo, leu os fundamentos da impetração e examinou os documentos juntados e proferiu a decisão concedendo a ordem, mandando soltar o nosso Roberto Carlos, se por outro motivo não estivesse preso e ainda mandando servir de mandado a própria decisão que havia exarado.Tudo pronto, mas quando procurei a rodoviária para pegar o ônibus de volta, o mesmo já havia partido e embalde os meus acenos na beira da rodovia para pegar uma carona, tive que pernoitar naquela cidade para, no outro dia por voltas 14:00 horas pegar a condução que me levaria de volta, quando então, em cumprimento a ordem judicial, seria colocado em liberdade o pobre e infeliz vocalista e imitador de Roberto Carlos.

Mal sabia eu que naquela manhã, nosso ídolo local, meu colega estudante e meu “cliente”, seria novamente, encaminhado para o cartório, devidamente algemado e escoltado para que se efetivasse o casamento que iria lavar a honra da jovem seduzida e de seus familiares. Todavia, ele estava bem orientado e se isso acontecesse o combinado é que iria dizer, NÃO, novamente e não tardaria para ser colocado em liberdade. Ao sair da delegacia, ainda foi abordado pelo escrivão Alfredo Mariano que embora funcionário da polícia, tinha espírito legalista e não concordava com o chamado “casamento na marra”: “não case, diga, NÃO, que você vai ser solto pelo juiz”.

Pobre do nosso cantor, não contava e nem eu, com a presença do justiceiro “Crespo”, figura bizarra, que vestia uma capa preta, usava botas e esporas com rosetas largas e tinha na cabeça um chapéu de abas largas e que andava de um lado para outro, sempre arrastando as esporas no assoalho, fazendo um barulho como se quisesse chamar a atenção das pessoas. Por de baixo da capa, dizem, sempre trazia um revólver calibre 44 e uma escopeta “papo amarelo”, armas que naquele dia seriam usadas caso o indigitado noivo não reparasse o mal pelo casamento.

Meu protegido estava firme no propósito de não casar, mas quando viu a presença do justiceiro, começou a tremer parecendo que estava com maleita e como diria o Divo: “estava no mato sem cachorro”. Já não prestava mais atenção nas palavras do Juiz de Paz e sim no barulho das esporas do “Crespo” e ao ser indagado se era de sua livre vontade o casamento, quem respondeu foi o justiceiro que havia se postado bem atrás do pobre e infeliz noivo- “se falar, “não”, não “veve” mais um minuto na “facie” da terra”. O pobre noivo não pensou duas vezes e já foi dizendo, SIM, fazendo com que o juiz casamenteiro o declarasse marido da seduzida.

De volta na minha cidade, encharcado de vaidade por ter conseguido uma decisão judicial concessiva do “habeas-corpus”, fui procurar um oficial de justiça para cumprir a ordem de soltura. Já na delegacia fiquei sabendo que o pobre do vocalista mediante a ameaça feita pelo justiceiro “Crespo”, acabou concordando com o casamento.

Esse foi o mais perfeito “casamento na marra” ou “casamento na polícia” que se teve notícia por aquelas bandas.

E o que é pior, eu acabei perdendo o dinheiro da aposta. O nosso cantor, antes de abandonar a cidade, contou para os demais integrantes da banda sobre as torturas e suplícios que havia passado, sendo certo que, os mesmos, assediados pelas fãs foram se casando independentemente de qualquer pressão da família ou da autoridade policial. Assim foi com o guitarrista Cairo que assediado por minha prima Sonia, uma linda morena de olhos verdes, com ela casou-se, dizem, “de livre e espontânea vontade”, e abandonando a velha guitarra, foi procurar ouro na Serra Pelada; foi assim também com o acordeonista Dilmar, o “Ferreirinho”, que assediado casou-se com Sandra outra das minhas lindas primas e abandonando a gaita encantada, foi ser prefeito de um município do Estado do Amazonas. “Zé do Couto”, o apresentador, preferiu largar tudo e mudar-se para Rondonópolis, onde é funcionário público; “Xote”, o baterista, assediado por uma fã mais velha, casou-se, vendendo a bateria e mudando-se para Dourados onde mora até hoje, sendo considerado o “rei da gaita de boca”; “Orlandinho”, o rei do violão, irmão do meu amigo Ramão Elemar, hoje advogado militante em Amambai, também irmão do cabo Ivo, aquele que inventava disco voador e do Coronel Walmir dos Santos, também abandonando a banda, foi para o Rio de Janeiro de onde só voltou depois de ter certeza que não mais seria reconhecido pelas fãs. O único que nunca foi assediado foi o “Teodorico” que era uma mistura de feio com horrível e que, embora mestre no contrabaixo e no violão, sentindo-se “peregrino” na cidade, por muito tempo embrenhou-se nas matas, trabalhando como cozinheiro de contrabandistas de café, “comendo o pão que o diabo amassou”, até que prescrito os crimes, retornou para a cidade, onde até hoje é professor de violão.



Assim, a banda que era um sucesso, foi desfeita pelo assédio das fãs e pelo incomodo “casamento na marra” do nosso vocalista Agamenon que não suportando a “pressão” da autoridade policial e as ameaças do “Justiceiro Crespo”, acabou concordando com o casamento que nunca se consumou.



Muito tempo depois, tal como havia profetizado, fui ser juiz em Ponta Porã, ocupando a mesma sala onde, pela primeira vez me deparei com um Magistrado Togado e sabendo que Agamenon ainda vivia naquela cidade, num final de expediente, encomendei uns salgadinhos, uma torta e refrigerantes, coloquei um violão num canto e mandei trazer o desafortunado vocalista que, quando viu a festa organizada para ele, começou a chorar, me abraçando demoradamente sem conseguir pronunciar uma só palavra. Antes de sair da sala, agora já recomposto, pegou o velho violão e foi cantando a canção que havia lhe emprestado forças para suportar os momentos de angustia e solidão por que passou, nos quase cem dias que permaneceu preso na cadeia pública de minha cidade: “Jesus Cristo! Jesus Cristo! Jesus Cristo eu estou aqui- Jesus Cristo! Jesus Cristo! Jesus Cristo eu estou aqui- Olho na terra e vejo uma multidão que vai caminhando- Olho no céu e vejo uma nuvem branca que vai passando- Como uma nuvem branca essa gente não sabe onde vai- Quem poderá dizer o caminho certo é você meu pai- Toda essa multidão tem no peito amor e procura paz- E apesar de tudo a esperança não se desfaz- Olhando a flor que nasce no chão daquele que tem amor- Olho no céu e sinto crescer a fé no meu salvador- Jesus cristo! Jesus Cristo eu estou aqui! Em cada esquina vejo o olhar perdido de um irmão- Em busca do mesmo bem nessa direção caminhando vem- É meu desejo ver aumentando sempre essa posição- Para que todos cantem na mesma voz essa oração- Jesus Cristo! Jesus Cristo eu estou aqui. ” Ao se despedir, ainda limpando as lágrimas do rosto, com a voz um pouco embargada, disse: “não sabia que juiz também era gente”.


obs: qualquer semelhança é mera coincidência.

Autor: Luiz Carlos Saldanha Rodrigues.

Juiz de Direito Aposentado e advogado criminalista.



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