28 abril, 2011

Tim Maia e a Cultura Racional.


           
           Que atire a primeira pedra quem nunca se deixou levar pelo balanço do samba soul de Tim Maia? Inovador e polêmico, Tim foi intenso em tudo que viveu. Ao partir prematuramente, aos 55 anos, deixou um legado de canções que são inesquecíveis para todas as gerações. Como ele mesmo gostava de classificar as suas canções, a metade era “esquenta sovaco” (canções mais agitadas e dançantes) e a outra metade era “mela cuecas” (canções românticas, pra dançar agarradinho). Ao falar do “síndico” da música popular, não há como deixar de citar suas qualidades excêntricas.
 Seu humor contagiante, conflitava as duras penas com seu perfeccionismo extremista. – Mais grave, mais eco, mais agudo! Era clichê em seus shows. Ora ou outra, quando já muito alterado pela grande quantidade de uísque e outras substâncias ilícitas que consumia antes dos shows, abandonava o palco. Muitas vezes no início de suas apresentações. O maior “furão” da música brasileira, tem em sua lista incontáveis faltas em seus shows. Até mesmo o “Rei Roberto Carlos” teve que se contentar com o “furo” de Tim Maia. Em um dos seus especiais de fim de ano, Tim foi na passagem do som, criticou muito os técnicos e os equipamentos, e na hora de se apresentar quem disse que ele foi? Coisas de Tim Maia.
            Outra faceta do “velho Tim”, foi o momento “zen” que viveu. Sobre influência de uma corrente filosófica denominada, Cultura Racional. Sua ideologia era pautada em assuntos relacionados a metafísica e a ética. Esta corrente filosófica foi criada em 1935, por Manoel Jacinto Coelho, no Rio de Janeiro e buscava uma resposta para a origem de tudo, através de uma extensa obra literária, denominada “O Universo em Desencanto”. Foi quando fazia parte desta seita, que Tim Maia desenvolveu a fase mais produtiva de sua carreira. Com canções que citava, explicava e incentivava seus fãs a fazerem parte da Cultura Racional. Os discos Tim Maia Racional vol 1 e vol 2  mostram com perfeição, essa que foi uma das melhores fases do show man Tim Maia. Porém como tudo em Tim Maia era imprevisível, a Cultura Racional não perdurou muito em sua vida. Cansado de fazer shows somente para os adeptos da seita, e sofrendo crises e mais crises de abstinência, ele resolveu abandonar a “Imunidade Racional” e todas as suas supostas verdades, queimou todos os livros que tinha em casa, e tudo que era relacionado com a Cultura Racional, e ainda acusou o seu ex Grão mestre Jacinto, de ser um salafrário, larápio e tarado. Voltado de vez para seus antigos hábitos.           
 
João Caetano, 

músico/compositor, líder da banda Surfistas de Trem, articulista e economista. 

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