04 outubro, 2010

EU JA SABIA

* ELIZ SALDANHA

Frase bastante utilizada nos jogos de futebol quando um time é campeão, sempre tem um torcedor que levanta um cartaz com esses dizeres: eu já sabia.

De tão comum que é ver a frase acima estampada em faixas, cartazes e que é sistematicamente exibida pelas emissoras de televisão, nos estádios, ao final de uma partida, cujo resultado já era obvio, passou a ser utilizada nas piadas realizadas pela oposição, apenas para mostrar o que já estava escrito, maktube. E que todos estavam cientes do resultado final. Da verdade nua e crua - que escrevo sempre em petitórios do meu oficio, resta dizer que é sim a verdade, tal qual a baleia que sobe sempre à tona para respirar.

Mas não é sobre o futebol que desejo escrever, quero sim discorrer sobre a política e sorrateiramente dizer aquilo que já sabia: Ponta Porã não elegeria nenhum deputado, principalmente após a cassação de registro do candidato Chico Gimenez. Não quero ainda dizer com isso que só o Gimenez tinha condições de se eleger. Nada disso. Penso que nem mesmo ele se elegeria. Com isso, também não pretendo traçar o perfil dos demais candidatos.

A idéia é mostrar aquela velha tese que foi defendida por varias pessoas em especial pelo prefeito Flavio Kayatt, sobre a divisão de voto e suas implicações em deixar Ponta Porã, novamente sem representantes legítimos. Tanto na Assembléia Estadual quanto na Câmara Federal.

A Princesa dos Ervais não elege seus próprios deputados, em virtude da profusão de candidatos. E mesmo que a vontade dos eleitores fosse eleger um pontaporanense havia muitos candidatos, fato que pulverizou os votos.

E o outro dado, que corrobora essa minha tese, é que do total de eleitores pontaporanenses, talvez 80% pretendiam votar em candidatos locais, o que faria esse total cair para certo número de votos, que multiplicados pelos índices de cada um nas pesquisas, não garantiria o coeficiente para nenhum deles. Isso é matemática e a regra é clara. É o tal 2+2=4. Punto e basta!

É certo que inicialmente alguns políticos estiveram propensos a formar alianças, porém outros não agiram de forma coletiva, apenas de acordo com suas vaidades e ambições pessoais, ficando só no tal blá blá blá. E deu no que deu. É assim que as grandes promessas se transformam nas maiores derrotas pessoais. Para tanto basta lembrar-se daquele político que insistiu em não terminar os mandatos (deputado estadual, prefeito e deputado federal) ou daquele outro, simples e cativante, que uma vez no poder cercou-se de pessoas descomprometidas com o progresso de Ponta Porã e desde então não se elegeu mais. Na verdade, ambos não se elegem

Voltando ao presente, o que existiu neste pleito foi uma profusão de grupos. O grupo do prefeito Kayatt, o grupo do Chico Gimenez, o grupo do PT, o grupo do Álvaro Soares, este (o candidato) que tropeçou no caminho ao ousar propalar que era o único candidato com chances reais de se eleger. Nada disso.

Chances tiveram todos os candidatos, principalmente aqueles que não achincalharam a moral de ninguém, apresentaram boas propostas, não foram truculentos, nem negaram os apoios recebidos, nem disseram que não poderiam ser vistos com este ou aquele cidadão que lhe apoiava para que não tivesse sua honra(?) manchada, não trataram seus apoiadores pelas costas como leprosos. Com isto não estou afirmando que algum candidato tenha praticado tamanha ingratidão. Nada disso.

Ademais, não sou o Eleandro Passaia, não gravei a conversa de ninguém, apenas presenciei e ouvi e o que está gravado em minha memória e divido com o leitor.

Assim, para quem acende uma vela para Deus e outra para o diabo, restou a lição sábia das urnas: Água e vinho não se misturam. É preciso ouvir a população, possuir bom comportamento social, é preciso comprometer-se verdadeiramente com o coletivo deixando de lado projetos individuais e, sobretudo, ser humilde para só então recomeçar, afinal, assim é a vida, um eterno recomeço.

*Advogada, articulista do JR e torcedora fanática por Ponta Porã, entristecida em levantar este cartaz, mas sinceramente, EU JÁ SABIA!

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