14 setembro, 2006

Inocêncio Rodrigues - Um exemplo de vida


O escritor Inocêncio Rodrigues, é natural de Amambaí, mas atualmente reside em Campo Grande, onde se dedica a escrever, casado há 55 anos com a pedagoga Nadyr Nunes Rodrigues, com quem tem quatro filhos; Márcia e Sandra que também seguiram os caminhos dos pais são pedagogas. Rosana, que se dedicou à área de saúde pública e o biólogo Rinaldo. Inocêncio e Nadyr têm 11 netos e 04 bisnetos que são sua alegria de viver. Sócio fundador do Rotary Club de Amambai residiu em Ponta Porã no período em que Ponta Porã a capital do Território Federal com o mesmo nome. Ele nos contou que em setembro de 1943, o Presidente Vargas baixou o Decreto 5.812, criando novos Territórios Federais no país, entre os quais estava o de Ponta Porã. O novo Território, destacado do extremo sul do antigo Estado, na fronteira com a República do Paraguai, era integrado pelos Municípios mato-grossenses de Ponta Porã, Dourados, Bela Vista, Porto Murtinho, Maracaju, Miranda e Nioaque e Vila União, hoje Amambai. Sua Capital era a nossa cidade.

Em sua justificativa para a criação dos novos Territórios, declarou o Presidente Vargas:

"Não nos impede outro imperialismo que não seja o de crescemos dentro dos nossos limites territoriais para fazer coincidir as fronteiras econômicas com as fronteiras políticas. O escasso povoamento de algumas regiões fronteiriças representa, de longo tempo, motivo de preocupação para os brasileiros. Dai a idéia de transformá-la em Territórios Nacionais, sob a administração direta do Governo Federal. O programa de organização de desenvolvimento desses territórios resume-se em poucas palavras: "sanear, educar, povoar." eis a finalidade da criação dos Territórios Nacionais".

O Diretor do Colégio Osvaldo Cruz em Campo Grande/MT, recebeu uma carta do então Governador Cel. Ramiro Fernando de Noronha para que indicasse o melhor aluno em contabilidade que se formava naquele ano (1943) e que, de preferência solteiro pudesse residir na Capital do Território, ocupando o cargo de 1º Secretário de Governo.

Foi assim, que Inocêncio Rodrigues com 20 anos, assumiu seu primeiro cargo público, e faz questão de afirmar que sua indicação se deu por méritos próprios, estudo constante e metas definidas. Residindo aqui até 1946, quando o Território foi extinto, o governador era o pontaporanense Dr. José Alves de Albuquerque.

Em 1946 ao retornar para Amambai, Inocêncio recebeu a incumbência de instalar a Coletoria de Rendas e exerceu a função de exator durante 05 anos, naquela época a cidade deixava de ser Distrito de Ponta Porã e passou a Município, assim o Governador do Estado nomeou um Prefeito interino para a organização da prefeitura, do qual foi o primeiro Secretario de Governo. Com o advento da eleição para escolha do primeiro prefeito e de vereadores, candidatou-se vereador pela UDN, naquela época vereador não recebia remuneração, com a extinção da UDN, foi reeleito pela ARENA, outro partido de direita.

Enquanto vereador lecionava contabilidade no Colégio Dom Aquino Correa, até ser nomeado diretor do Colégio Dr. Fernando Correa da Costa, sempre na vizinha cidade, onde residiam seus pais; Rosalino e Filomena Rodrigues.

Já casado com seu eterno amor, Nadyr Nunes Rodrigues, retornou a Ponta Porã atendendo ao honroso convite do Prefeito João Portela Freire, onde exerceu na Prefeitura Municipal a função de auxiliar de contabilidade, equivale hoje ao cargo em comissão de assessor, sob as ordens do Sr. Vinicius Soares do Nascimento.
Sentia-me em casa novamente, reencontrei amigos, como Nicandro de Campos (pai do Tabelião Olegário Campos); Geraldo Ribeiro; Lurdes Brandão, Dr. José Issa; os irmãos Elpídio e Hélio Pelluffo, Aral Moreira e tantos outros que, somente por sua insistência nominei alguns, porque me preocupo de não citar outros tantos amigos que lá deixei e tantos outros que já nos deixaram”.

Deixei Ponta Porã pela necessidade de propiciar escolaridade em nível superior e aqui durante quatro anos fui diretor da escola Frederico Lieberman”

Inocêncio Rodrigues lecionou em vários colégios da capital e somente se aposentou depois de 57 anos de serviços prestados a educação e a cultura, mas mesmo depois de aposentado seguiu trabalhando como assessor do Senador Antonio Mendes Canale e dos amigos Wilson Barbosa Martins e José Fragelli.


Indagado sobre seus ex-alunos, respondeu que todos os seus foram ótimos, mas sempre alguns se destacam pelo amor verdadeiro aos estudos e citou alguns nomes; Luiz Carlos Saldanha, juiz aposentado; José Luis Tobias, atual vice-prefeito de Amambaí e Zenóbio dos Santos. “ O Luiz Carlos, trabalhava no Cartório do 2º Ofício e cursava a Escola Técnica do Comércio no período noturno, foi vereador em Amambaí, mas preferiu seguir a carreira jurídica; O José Luis também sempre foi muito estudioso e hoje é vice-prefeito de Amambaí; o Zenóbio Neves dos Santos era como os outros dois um “menino de ouro”, dedicado aos estudos e cordial no tratamento com as pessoas, foi vereador em Amambaí por três vezes consecutivas e Deputado Estadual por duas vezes, carreou muitos benefícios para a sua cidade natal que é Amambai.”

Autor do livro; “Os pioneiros de Amambaí” e com outra obra já pronta para edição “Causas, Lendas e Histórias”, que será brevemente lançado, aos 82 anos, e com muita lucidez, nos deu a receita para manter a cabeça boa, é a leitura diária dos jornais e pelo menos 04 livros por mês. Atualmente esta lendo “A esfinge”. Inocêncio Rodrigues reafirma que com perseverança e leitura constante e muito estudo, nada é impossível.

JUIZ FEDERAL ODILON DE OLIVEIRA
“Desejo que Ponta Porã seja próspera.”
19 de fevereiro de 2005

Pessoas idealistas não são necessariamente sonhadoras. Mas sim, pessoas que colocam em prática o que pretendem, através de um trabalho tão exaustivo que pode beirar à perfeição e isso acaba refletindo em toda uma sociedade. Quando fomos entrevistar o Juiz Odilon de Oliveira, pensamos que seriamos recebidos por uma pessoa arrogante, pelo contrário, o entrevistado desta semana é um homem bastante polido, simples nas palavras e complexo nos pensamentos, crê que a prisão não regenera um individuo e insiste que as chamadas “mulas” (pessoas que transportam a droga para os traficantes) são na grande maioria pessoas excluidas pela sociedade, “vitimas do flagelo social”. Por alguma razão criou-se em torno desse Magistrado uma aura de mistério, uma espécie de ambiente psicológico bom para alguns e ruim para outros. A verdade é que se trata simplesmente de um homem, de aparência mais jovial que os seus 56 anos, de coragem para por em prática suas idéias, um Juiz conhecido internacionalmente pela luta que trava contra a criminalidade e que prolata sentenças comentadas em todos os lugares devido a exasperação das penas. Um funcionário público consciente de suas funções, sabe que suas decisões embora não sejam imutáveis, dificilmente são modificadas pelos Tribunais Superiores, e que passando ao estado de coisa julgada, o dever que o Estado (governo) lhe conferiu de aplicar a Justiça, foi amplamente cumprido. A entrevista foi realizada na sede da Justiça Federal, leia os trechos que seguem:

Eliz: A extradição, que é a entrega de pessoas, acusadas ou condenadas por crimes em um determinado país que a solicita, se trata de um ato de cooperação internacional. Como o Senhor bem sabe, Brasil e Paraguai possuem o Tratado, assinado em 24 de fevereiro de 1922 e promulgado pelo Decreto 16.925 de 26 de maio de 1925. O Paraguai tem obedecido a esse Tratado, ou seja, entrega os brasileiros para que sejam julgados no Brasil?

Dr. Odilon: Na prática, o tratado de extradição entre o Brasil e o Paraguai, assinado em 1922, sempre foi letra morta. Recentemente, as autoridades paraguais passaram a cooperar com o Brasil, até além do esperado. Esse aquecimento decorre de contatos pessoais entre as autoridades dos dois países, principalmente após a instalação da vara federal de Ponta Porã. Pelo menos de uns cinco anos para cá, o relacionamento entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades policiais paraguaias já vem sendo muito bom. Exemplo disto estão nas operações conjuntas, já em número de doze, realizadas entre os dois países, citem-se, apenas, de 04 meses para cá, a realização de várias operações para prisões de brasileiros em território paraguaio, fugitivos da Justiça brasileira e paraguaios, alguns deles já extraditados para o Brasil. Projetando para o futuro o ritmo dessa colaboração, diversas outras operações, como medidas preparatórias de extradições, serão realizadas em 2005.

Eliz : De acordo com o estatuto do estrangeiro, independente de Tratados, o Brasil pode pedir a extradição de um brasileiro para qualquer outro país, ? Na prática, isso funciona?

Dr. Odilon: Sem tratado de extradição, ou seja, apenas com base no estatuto do estrangeiro, só funciona, na prática, se o Brasil oferecer reciprocidade e esta for aceita pelo país requerido (país onde se encontra a pessoa procurada pelo Brasil).

Eliz: O senhor não acha que essa cooperação internacional é utópica? Ou seja, que na verdade cada país está mais interessado nos seus próprios problemas e que para certos países da América Latina não “compensa” cooperar, entregando criminosos para serem julgados em seus países?

Dr. Odilon: A cooperação internacional para fins de extradição não é utopia. É uma atitude indispensável e uma consequência natural do fenômeno da globalização da criminalidade. Quando se trata de crime internacional, e isto ocorre, no âmbito federal, com quase todos os delitos de tráfico de drogas, de lavagem e crimes financeiros, os interesses envolvidos pertencem a mais de um país. Decorrentemente, todos sendo interessados no combate à criminalidade transnacional, nenhum país sério deixará de cooperar em matéria de extradição. É claro que cada país adota uma maneira propria de organização política, econômica e social. Todavia, a globalização, que se materializa na mobilização do ser humano, de seus bens e interesses, principalmente econômicos, elege a cooperação internacional, em todos os sentidos, como conduta de sobrevivência. Isto até força a mudança de conceito de soberania, amoldando-a a feições que se enquadram no desempenho imposto pela globalização de todos os setores da atividade humana,inclusive da criminalidade.

Odilon de Oliveira fala sobre sentenças rigorosas


Eliz: Alguns comentam que suas sentenças são exageradamente rigorosas, às vezes aplicando penas de até 100 anos de reclusão. O Senhor também não acha que exagera nas penas?


Dr. Odilon: A justiça, no meu entender, sem pretender ser justiceiro, deve ser adequada à realidade em que atua. A reprimenda tem que levar em conta vários fatores, dentre eles as consequências do delito. Está escrito na lei penal que ela seja suficiente para a reprovação e prevenção do crime. Ninguém nega que o tráfico internacional de drogas, os crimes financeiros, a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal sejam nefastos para a sociedade. A reprimenda, em tais casos, tem que servir de efetiva reprovação. Logo, as penas por mim aplicadas nada têm de exagero.

Eliz: O Juiz Odilon é uma lenda vida. O senhor tem consciência disso?

Dr. Odilon: Não há nada de lenda. O juiz Odilon se limita a cumprir suas obrigações, e procura fazê-lo consciente de que a finalidade principal do Judiciário é pacificar o convívio social através da solução dos conflitos de interesses.

Eliz: Ponta Porã, eu nasci aqui, e fico triste quando falam mal da minha cidade, aliás, todo pontaporanense deseja que a cidade seja notícia também por coisas boas.O que o senhor deseja para Ponta Porã?

Dr. Odilon: Desejo para Ponta Porã muita prosperidade. Isto somente ocorre mediante um compromisso comum emanado das autoridades. Em síntese, cada um, cumprindo sua obrigação, fará o Município prosperar. Disto não está dissociado o meu desejo de me fixar definitivamente como juiz Federal em Ponta Porã.



Frases:
“A sociedade faz da vítima o que quer, os traficantes também fazem o querem das pessoas, se aproveitando da pobreza, da fome.”

“Cada um deve cumprir o seu dever. O Prefeito deve cumprir o seu dever, o Juiz deve cumprir o seu dever, assim Ponta Porã será próspera.”

“Sei que a Justiça Federal em Ponta Porã tem agradado as pessoas de bem e desagradado as pessoas que não estão não estão do lado do bem.”

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